PREPARANDO PASSO A PASSO A CELEBRAÇÃO

 

Pe. José Januário

 

Introdução:

 

Celebrar é uma exigência da vida. A vida pede um momento especial em que a gente, dando-se um tempo, junto com os irmãos e irmãs, contempla o caminho percorrido, contenta-se com os resultados já conseguidos e celebra, na presença do Senhor, a nossa vida ligada profundamente ao mistério da Páscoa dele. Por isso a celebração é ponto culminante da vida bem como a motivação mais forte para a gente continuar lutando pela vida.

Apresentamos a seguir oitos passos fundamentais para a realização da celebração com a comunidade, pois a celebração, com certeza, não é algo totalmente espontâneo, que possa improvisar e prescindir de um mínimo de preparação. Também não é um conjunto de invenções e de criatividades sem pé nem cabeça, a celebração não é lugar para fazermos coisas extraordinárias, mas fazer extraordinárias todas as coisas.  

1º Passo: PEDIR AS LUZES DO ESPÍRITO SANTO

O mistério da páscoa de Jesus que celebramos é fruto do Espírito Santo, que o impulsionou a realizar a vontade do pai até as últimas consequências (Hb 9, 14). E quem envolve no mistério pascal a vida, as lutas e as esperanças de todas as pessoas é o mesmo Espírito, que na Eucaristia, é invocado para a santificação do pão e do vinho e da união das pessoas na assembléia. É por isso que desde a reunião de preparação da liturgia pedimos as luzes do Espírito Santo, para que tudo o que for discutido, refletido e realizado seja para a glória da Trindade. Portanto, no início da reunião é bom cantar  ao Espírito Santo, para nos lembrar que não agimos por nós mesmos, mas em nome daquele que nos inspirou e nos convidou para celebrar a sua páscoa. Alguém da equipe de liturgia, após o canto, pode fazer uma oração à luz do evangelho da celebração que será preparada.

 

2º Passo: AVALIAR A CELEBRAÇÃO PASSADA

É bom prever e haver tempo para se fazer a memória da última celebração, pois, através dela vamos perceber com mais clareza as lacunas e os desafios que a equipe ainda tem de enfrentar. Sem a avaliação corremos o risco de estar realizando inúmeras reuniões e nos iludindo quanto ao nível de participação e de envolvimento de nossas assembléias. Esta avaliação não pode se reduzir ao que funcionou ou não funcionou, ou o que deu certo e o que deu errado, é importante antes de tudo nos questionarmos a partir da própria assembléia, e não a partir de nossa equipe. A avaliação pode se dar em dois níveis:

 

a)       Em nível de equipe: A equipe dedicará um tempo da reunião, não mais que 10 minutos, para avaliar a última celebração onde atuou. É sempre bom alguém da equipe participar como assembléia e buscar opiniões de outras pessoas.

b)       Em nível geral: Esporadicamente, no Conselho paroquial ou na Assembleia paroquial, seja realizada uma avaliação das celebrações.

 

SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA AS AVALIAÇÕES:

 

 1) A celebração foi de fato marcante para a vida da comunidade?

 2) A assembléia se sentiu envolvida no mistério que celebramos?

3) Os cantos, símbolos, ritos, orações... ajudaram a expressar o mistério do dia?

4) Como se deu a relação entre assembléia, equipe e presidência? Houve comunhão?

5) Sentimos prevalecer um clima orante em nossa celebração? O que ajudou e o que prejudicou?

6) Os ministros agiram à maneira de Jesus?

7) Como a vida e os acontecimentos importantes da comunidade entraram na celebração?

 

 

3º Passo: SITUAR A CELEBRAÇÃO NO TEMPO LITÚRGICO E NA VIDA DA COMUNIDADE

 

a) Qual Mistério celebramos?

 

É preciso desde o início, trazer à memória a novidade do mistério daquela celebração que nos é comunicada especialmente pela liturgia da palavra e pelo tempo litúrgico no qual a celebração está situada, procurando sempre acentuar com clareza cada mudança do tempo litúrgico, pois cada um deles traz consigo uma

dimensão do grande mistério que envolve toda e qualquer celebração: o mistério pascal de Cristo.

b) Qual a relação entre esse mistério e a vida cotidiana?

É preciso colocar raízes do Mistério da Páscoa de Jesus no Mistério pascal da vida cotidiana da gente. É aí que o mistério da Páscoa de Jesus nos atinge:”Páscoa de Cristo na Páscoa da gente; Páscoa da gente na Páscoa de Cristo” (doc. 43, CNBB,p. n. 300).É muito importante que a equipe

tenha presente com quem se vai celebrar. O conhecimento de como é a assembléia celebrante, quais suas características próprias, sem esquecer os

grupos minoritários, é uma condição sem a qual não podemos celebrar de maneira inculturada.

 

 

Material para termos em mãos na hora de preparar celebração:

 

1)    Lecionário: é o livro que contém as leituras da celebração, valorizando o símbolo do Livro Sagrado em nossas celebrações.

2)    Evangeliário: é o livro que contem os textos do Evangelho que será proclamado na liturgia dominical. Merece estar em destaque colocado no centro do altar até a proclamação do Evangelho e introduzido solenemente na procissão de entrada ou na aclamação do evangelho.

3)    Missal: é o livro que contém a estrutura da celebração: orações, ritos e liturgia eucarística e também as partes fixas da missa. A introdução geral do Missal contém as informações necessárias para bem celebrarmos a Eucaristia.

4)    Diretório litúrgico: é o subsídio que situa a celebração no tempo litúrgico. Sempre traz as indicações das leituras, da cor correspondente ao tempo litúrgico, festas e memórias fixas e móveis.

5)    Hinário Litúrgico: editado pela CNBB, traz sugestões de músicas para a celebração. É interessante tê-lo ao menos como critério.

6)    Agenda paroquial: é necessário verificar com a secretaria paroquial as intenções especiais presentes em nossas celebrações litúrgicas.

 

     

4º Passo: FAZER A EXPERIÊNCIA DA PALAVRA

 

A) Ler o texto – Seguindo uma ordem diferente daquela da proclamação na celebração, lendo primeiro o Evangelho. É necessário passar o texto para memória e
depois para o coração;

 

b) Aprofundar o texto – descobrir o seu contexto e o que está por traz do texto.

 

c) Trazer o texto para a nossa vida – somente após tomar consciência do texto no seu contexto, é que poderemos perguntar: o que o texto diz para nós hoje?

E assim evitamos a leitura fundamentalista da bíblia, ou seja sem separar a bíblia da nossa vida.

 

5º Passo: EXERCÍCIO DA CRIATIVIDADE

 

Este quinto passo deve ser feito à luz dos anteriores, procura-se num exercício de criatividade, fazer surgir idéias para os diversos momentos da celebração.
Como se faz:

a) Tempestade de idéias;

b) Retomar a sequência da celebração;

c) Levar em conta o tipo de celebração;

d) Reconhecer o envolvimento da comunidade;

e) Considerar em conta o que é próprio e os elementos característicos de cada celebração;

 

6º Passo: ELABORAR O ROTEIRO

Uma vez decidida as ações simbólicas, trata-se de ordená-las: Ritos iniciais, liturgia da palavra, liturgia Eucarística e ritos finais e registrar tudo numa folha roteiro que servirá de orientação para o presidente da celebração e a equipe responsável.

 

7º Passo: DISTRIBUIR OS MINISTÉRIOS

É muito importante recordar que um ministério litúrgico deve ser sempre desempenhado tendo presente à imagem do Cristo Servidor de todos. Longe de nós aparentarmos qualquer sinal de superioridade ou mesmo de prestígio na comunidade. Um ministério dependerá do outro, formando um único corpo,
mas é preciso cada um estar ciente do papel a desempenhar na celebração para que não haja tumulto ou corra o risco de esquecer algo.

 

8º Passo: ENSAIAR AS AÇÕES SIMBÓLICAS

Não basta dizer como vai fazer, precisamos ensaiar cada passo, rito, ação simbólica e cantos que forem escolhidos, é necessária uma sintonia com os diversos ministérios, para evitar falhas. Quanto ao local, por mais que o conheçamos é sempre bom a gente ir até ele do que ficar só na imaginação, e ali realizar o ensaio mais
proximamente do que será realizado na celebração. É bom lembrar que na liturgia é preciso saber unir a ação corporal (palavras, músicas e gestos) ao seu sentido teológico-litúrgico, e a atitude interior que o Espírito suscita em nós.